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RESENHA: KATATONIA e FALCHI: Noite especial de Prog Metal no Cine Joia (São Paulo - 21/03/2026)
Por Argoth
Publicado em 23/03/2026 20:37 • Atualizado 23/03/2026 20:41
Resenhas

Mesmo com uma série de outros grandes nomes e gigantes do metal nacional e mundial tocando por São Paulo, além de festivais acontecendo, os fãs de KATATONIA e FALCHI fizeram bonito e deram um baita show. Entusiasmo, alegria e a sensação de realização de sonhos eram sentidos naquele fim de tarde e começo de noite no Cine Joia.

Algo grandioso aconteceria. Afinal, e principalmente, era a expectativa para o último show desta turnê do KATATONIA pela América Latina.

Por volta das 17h, a fila para adentrar o Cine Joia já dava volta. Pontualmente às 18h, os portões do espaço foram abertos. Entre cervejas e conversas amenas, amigos e amigas se reencontravam depois de muito tempo.

O público se ajeitava enquanto, no sistema de som, rolavam clássicos do doom noventista, passando por Moonspell, Paradise Lost, entre outros.
Casa cheia, o público aguardava, cantava, já batia cabeça e reagia a cada som que tocava.

O ar-condicionado estava perfeito, pois a noite prometia ser quente, repleta do calor emanado pelas apresentações que se seguiriam na tradicional casa de shows de São Paulo.

Atmosfera amistosa, público acolhedor: pontualmente, FALCHI estava no palco.
 Tocando as canções do EP “Solace”, recém-lançado (janeiro/26), contendo quatro faixas, Jéssica Falchi e seus companheiros trouxeram uma apresentação potente, energética e que garantiu a satisfação do público presente.

Interagindo com o público e demonstrando imensa simpatia e carisma — uma de suas características mais marcantes enquanto musicista e guitarrista — Jéssica chegou a perguntar se a galera estava curtindo, por se tratar de um som totalmente instrumental. Foi prontamente respondida de forma calorosa: o público vibrou e confirmou que sim.

A apresentação foi iniciada com a empolgante “Sweetchasm, Pt. 1”. “Moonlance” veio na sequência, mantendo a energia lá em cima. Na canção “Sunflare”, Jéssica pediu à plateia que acendesse as lanternas dos celulares, pois aquele seria um momento especial — e foi atendida. As luzes voltadas para o palco trouxeram ainda mais brilho a uma apresentação impecável, que deixou o público com gostinho de quero mais.

Um som entregue com muita técnica, peso e elementos de metal moderno, sustentado por uma cozinha extremamente coesa e perspicaz, garantindo dinamismo e intensidade.

A apresentação foi encerrada com a pesadíssima “Sweetchasm, Pt. 2”, um som quebrado, altamente técnico, com viradas que deixaram todos em êxtase.
Set curto, mas carisma e energia foram imperativos.

Com direito a palhetas distribuídas ao público, a banda recebeu muito carinho dos presentes. A FALCHI, liderada por Jéssica, entregou personalidade e identidade sonora próprias, destacando-se também pela atenção e gentileza com os fãs. Jéssica agradeceu ao público — mas somos nós que devemos agradecer por tamanho talento, entregue com generosidade em cada apresentação.

Após posar para a tradicional foto com o público, a banda deixou o palco e deram-se início aos preparativos para a atração principal da noite: os lendários KATATONIA.

Enquanto aconteciam desmontagem e montagem de equipamentos, o público aguardava ansioso. Era evidente a expectativa, perceptível pela quantidade de camisetas da banda vestidas e nas mãos dos fãs.

Para não deixar o público esfriar, rolou até “Desperate Cry”, do Sepultura. No palco, a movimentação dos técnicos cuidava dos últimos detalhes, enquanto chamava atenção uma belíssima bateria preta com detalhes em vermelho, adornada com o icônico corvo — marca registrada da banda.

Com direito a Cannibal Corpse no som ambiente, as cervejas acompanhavam as conversas de um público cada vez mais ansioso pelo KATATONIA.

A prosa corria solta, amizades se formavam e, por fim, às 20h10, encerrando o som mecânico com Morbid Angel, conforme o cronograma, o KATATONIA subiu pontualmente ao palco.

O público não decepcionou: cantou do começo ao fim, a plenos pulmões, cada canção apresentada.

A entrega da banda foi sensacional, com entusiasmo e vontade de proporcionar o melhor show possível — ainda mais sendo o último da turnê, e em São Paulo, escolhida para esse momento especial.

Conforme anunciado, o set teve forte presença do álbum mais recente, “Nightmares as Extensions of the Waking State” (2025), equilibrado com músicas de outros trabalhos. Particularmente, senti falta de canções da fase doom/death, mas isso não diminuiu em nada a qualidade da apresentação.

Com precisão técnica impressionante de todos os instrumentistas, o que se viu foi uma noite inesquecível. O vocalista Jonas, por sua vez, esteve impecável: voz limpa, intensa e hipnotizante, conduzindo o público a cantar, se emocionar e se envolver a cada momento.

“Thrice”, faixa do novo álbum, abriu o show com força progressiva e elementos modernos. Na sequência, “Soil’s Song” trouxe sua melancolia característica, equilibrando peso e atmosfera. Também do álbum mais recente, “Liquid Eye” manteve essa ambientação.

“Austerity” trouxe um rompante mais intenso, com um solo marcante. “Ren” veio na sequência, melódica, preparando terreno para a pesada “Leaders”, com forte influência de gothic metal, guitarras trabalhadas e vocais carregados de emoção.

“Dead Letters” manteve o peso, seguida por “Nephilim”, que trouxe uma atmosfera mais introspectiva.
“Wind of No Change” destacou-se com sua introdução de baixo e coros, levando o público a cantar em uníssono — especialmente no icônico “Hail Satan”.

Um detalhe interessante foi o revezamento dos músicos no palco em algumas músicas, destacando momentos específicos como solos, trazendo dinâmica visual e foco na execução.

Do álbum “Night Is the New Day” (2009), “The Longest Year” marcou presença. As clássicas “Old Heart Falls” e “July” foram extremamente celebradas — especialmente “July”, bastante popular entre os fãs brasileiros.

“Leathen”, “No Beacons to Illuminate Our Fall” e “In the Event Of” encaminharam o encerramento do set.

Quando os músicos começaram a deixar o palco, surgiu aquela sensação de “quero mais” — e ela se confirmou. Com as luzes ainda acesas, a banda retornou para o bis, encerrando a noite com “Forsaker”.

Palhetas foram lançadas ao público após a tradicional foto final.

O público foi impecável: cantou do início ao fim, com entrega total.

A apresentação do KATATONIA foi memorável — intensa, emocionante e à altura da ocasião.
De forma geral, foi uma noite que deixará saudades, pois foi como algo tão breve, um sonho que nnguém estava com pressa de acabar ou acordar. Tanto o KATATONIA quanto FALCHI, trouxeram uma noite de celebração à música, aos amigos e de legados consolidados e legados que já estão se formando desde então.

Parabéns à Agência Powerline por mais uma grande produção, sempre com shows de alto nível e qualidade.
Agradecimentos também ao Cine Joia e à equipe técnica.

Uma noite formidável, daquelas que ficam para sempre na memória. Noite incrível!

 

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