REVENGE RITUAL – Arbitrary Punishment
Estados Unidos | Sludge
Horror Pain Gore Death Productions |
2026
FORMAÇÃO:
Jeremy Kafer - Bass
James Muenchen - Drums
Douglas Maxwell - Guitars
Brendan Cormack - Vocals
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
O segundo EP da norte-americana REVENGE RITUAL soa como uma sequência de golpes desferidos lentamente contra o ouvinte. “Arbitrary Punishment” mistura sludge, hardcore e beatdown moderno de uma maneira extremamente sufocante, criando um disco pesado não apenas pelo volume ou pela agressividade, mas principalmente pela atmosfera paranoica e constantemente opressiva que atravessa praticamente todas as músicas.
“Centuries of Pain” abre o trabalho deixando claro que a banda entende perfeitamente como trabalhar tensão. Os riffs arrastados, os grooves esmagadores e as pausas desconfortáveis criam uma sensação quase cinematográfica de colapso iminente. Não existe pressa aqui. A REVENGE RITUAL prefere deixar cada momento respirar até que a violência finalmente exploda.
“Killing Fields” aprofunda ainda mais esse clima claustrofóbico, equilibrando breakdowns brutais com passagens carregadas de melancolia e desespero. Brendan Cormack entrega uma performance impressionante ao alternar gritos desesperados, vocais quase animalescos e algumas linhas mais limpas que aparecem de forma bastante natural dentro da atmosfera sufocante do disco. Nada soa forçado. Tudo parece movido por tensão real.
Já “Liars Guilt” funciona como um dos momentos mais pesados emocionalmente do EP. Existe uma sensação constante de ameaça percorrendo a faixa inteira, enquanto os riffs absurdamente densos de Douglas Maxwell transformam cada desaceleração em algo quase esmagador. Os pequenos detalhes atmosféricos espalhados ao longo da música ajudam bastante a ampliar essa sensação de desconforto permanente.
A faixa-título talvez seja a melhor síntese da identidade atual da banda. “Arbitrary Punishment” consegue soar brutal sem depender apenas da velocidade ou de exageros técnicos. O peso nasce muito mais da construção de ambiente, dos grooves sufocantes e da maneira como a banda sustenta tensão praticamente o tempo inteiro.
O mais interessante é que, mesmo carregando influências bastante claras de nomes como EXTORTIONIST e THE AGONY SCENE, a REVENGE RITUAL evita soar como simples reciclagem do metal extremo dos anos 2000. Existe personalidade aqui, principalmente na forma como o grupo mistura violência, melancolia e uma sensação constante de desgaste emocional.
“Arbitrary Punishment” talvez não seja o trabalho mais técnico ou revolucionário do ano, mas definitivamente está entre os mais intensos. É daqueles discos feitos para serem ouvidos absurdamente alto, sentindo cada riff esmagar lentamente tudo ao redor. Torço para que este EP atinja um bom número de apreciadores aqui no Brasil, pois esta sonoridade é bem aceita por estas paragens.
FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO
“Centuries of Pain”, “Killing Fields”, “Liars Guilt” e “Arbitrary Punishment”
8.5/10
(Daniel Aghehost)