HECATE ENTHRONED – The Corpse of a Titan, A Lament Long Buried
Inglaterra | Symphonic Black Metal
M-Theory Audio |
2026
FORMAÇÃO:
Dylan Hughes - Bass
Nigel Dennan - Guitars
Andy Milnes - Guitars
Pete White - Keyboards
Joe Stamps - Vocals
Matt Holmes - Drums
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Por muito tempo, falar de HECATE ENTHRONED significava inevitavelmente falar de comparações. Desde os anos 90 a banda carregou aquela sombra constante de ser colocada ao lado de nomes maiores do symphonic black metal britânico (lembro até que, meu primeiro cd da banda, o EP “Upon Promeathean Shores’ de 1996, veio com um pequeno papel escrito pelo lojista da galeria do rock que dizia “banda britânica, mesma linha de CRADLE OF FILTH”) , especialmente por causa dos primeiros trabalhos. Só que existe algo curioso em “The Corpse of a Titan, A Lament Long Buried”: pela primeira vez em muito tempo parece que a banda simplesmente parou de se preocupar com isso.
O que percebo neste lançamento é uma banda extremamente confortável em voltar para elementos que sempre fizeram parte da sua identidade e reapresentá-los com mais maturidade e mais controle do que em muitos momentos da própria discografia.
Logo na abertura com “Adar Rhiannon” (rápida e belíssima intro), seguida por “Spirits Stir Within Our Ancestors’ Tombs”, o caminho fica claro. As guitarras continuam carregando aquele DNA clássico do black metal melódico, mas agora dividem espaço com teclados e arranjos que deixam de funcionar como simples atmosfera. Em vários momentos, são eles que realmente conduzem a música. E funciona surpreendentemente bem.
Esta faixa entrega um dos melhores exemplos desse equilíbrio. Os vocais de Joe Stamps alternam registros mais cortantes com passagens graves sem transformar a música num desfile de técnicas. Existe agressividade, mas existe também um cuidado muito grande para deixar as melodias respirarem. No meio de tanta densidade, pequenas passagens acústicas aparecem quase como pontos de descanso antes de tudo voltar a explodir.
Já “The Arcane Golem” traz um dos momentos mais pesados do disco. Existe algo de monumental na construção dos riffs. Não é velocidade pela velocidade. A música parece avançar como uma estrutura gigantesca ganhando movimento aos poucos até desabar em explosões de blast beats e teclados. É uma faixa que consegue soar grande sem cair naquele exagero artificial que tantas bandas do estilo acabam abraçando.
Mas talvez o ponto mais alto apareça em “Deathless in the Dryad Glade”. A introdução praticamente inteira é construída sobre instrumentos de corda e uma melancolia muito bonita antes que a banda resolva liberar toda a agressividade acumulada. Quando a música finalmente acelera, o impacto é enorme justamente porque existiu construção antes. E quando entra aquele trecho mais cadenciado próximo do final, sustentado pela bateria, fica difícil não imaginar uma marcha atravessando algum cenário perdido entre fantasia e ruínas.
O disco também acerta muito na forma como distribui intensidade. Em vez de tentar soar épico o tempo inteiro, a HECATE ENTHRONED entende que contraste ainda é uma das ferramentas mais importantes dentro do symphonic black metal. “Steed of the Still Water” desacelera o suficiente para deixar os elementos acústicos respirarem, enquanto “PWCA” praticamente interrompe o fluxo do álbum com piano, sussurros e uma atmosfera que lembra mais uma lembrança distante do que uma música tradicional.
E talvez seja justamente aí que “The Corpse of a Titan, A Lament Long Buried” mais convence. O disco entende que grandiosidade não nasce apenas de volume ou de quantidade de camadas. Ela aparece quando existe contraste suficiente entre caos e silêncio.
Ao término da audição, o novo trabalho da HECATE ENTHRONED mostra o quanto a banda acertou resgatando elementos vitais de sua sonoridade. O mérito está justamente em lembrar que ainda existe espaço para esse tipo de som quando ele é feito com convicção, boas composições e sem medo de soar grandioso.
Depois de tantos anos, talvez esse seja justamente o disco que melhor mostra quem a banda realmente queria ser o tempo inteiro.
FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO
“Spirits Stir Within Our Ancestors’ Tombs”, “The Arcane Golem”, “Deathless in the Dryad Glade” e “Steed of the Still Water”
8.2/10
(Daniel Aghehost)